Segunda-feira, 4 de Setembro de 2006

James Dean Bradfield - The Great Western

 

Continuando na senda do trabalho a solo TheGreat Western de James Dean Bradfield , resolvi fazer algo inédito, que vai completamente contra a filosofia que inicialmente pensei aqui para a pocilga. Isto no inicio seria só para vos dar a ouvir temas completamente descontextualizados dos seus álbuns , no entanto com este trabalho de JDB , vou arriscar-me no pantanoso terreno da "Review " de álbuns , algo que nunca tentei quer por ser um individuo extremamente contraditório, quer por não ter, quanto a mim, o talento necessário com as palavras que me possibilite aquilo a que vulgarmente se chama uma crítica musical. Portanto não se habituem a passar por aqui, com o intuito de se rirem de mais uma das minhas trapalhonas criticas, pois tal não deverá acontecer tão cedo.

 

Passemos ao cerne da questão, depois de tão inútil e desmotivada apresentação de intenções, por parte deste vosso "autor". Com este trabalho a solo, JD Bradfield entrega aos fãs de Manic Street Preachers , uma espécie de presente musical , pela espera penosa, que está a ser a audição do próximo trabalho da banda. Por muito, que Bradfield se queira demarcar neste trabalho do resto da banda, e por muitos bons pormenores que indiciem algum afastamento dos territórios até então trilhados pelos Manic , os fieis seguidores do agora trio, que já foi quarteto, de Wales , vão sempre associar esta voz aos MSP . Demorará com certeza algum tempo, até que James se consiga impor como artista a solo, algo que para acontecer teria que contar com a alienação dos Manic Street Preachers , o que sinceramente, desejo que nunca aconteça (God Save The Manic ). Mas não é só pela voz, que o trabalho insiste em soar a Manic , a música, evoca também e muito o som anteriormente praticado pela banda, facto que se deve obviamente, às funções que James sempre assumiu na banda, que o obrigaram a transformar em rebuçados Rock Pop as letras tortuosas e nem sempre claras, que a dupla Richie ,Nicky lhe faziam chegar às mãos. Num registo muito pop, que por vezes me faz lembrar o ambiente de This is My Truth Tell Me Yours, os xilofones, harmónicas , umas teclas exuberantes e a guitarra de James , que já vai deixando uma imagem de marca ao longo destes anos, aliam-se a uma produção de luxo, algo que não é igualmente novidade se atendermos à carreira recente dos Manic , que já se afastaram muito, arrisco-me talvez a dizer demasiado até, da rebeldia e crueza dos tempos de Generation Terrorists  e The Holy Bible .

 

Apesar de parecer que James Dean Bradfield , mais não fez do que uma extensão a solo do trabalho, que tem vindo a desenvolver nos Manic , há no entanto a sensação de que, este álbum é realmente algo de muito pessoal e único. É a primeira vez que o autor  compôe a música e escreve as letras completamente a solo, sendo que havia já partilhado a escrita com  Nicky Wire em certos temas do album A Design for Life , para alguns a obra prima da banda, que foi editada já sem a participação do então desaparecido Richie James . As letras deste Great Western,  mostram-nos um James , com saudades de casa, da sua Wales natal, que homenageia em  Émigré, com a necessidade de prestar homenagem a quem o ajudou a percorrer o trilho do mundo da música, como foi o caso de Philip Hall, que infelizmente faleceu enquanto os Manic promoviam em Portugal, o album Gold Against The Soul. Um James , que questiona a religião e os seus ícones, no satirico Say Hello To The Pope. Que se debruça sobre a exasperante busca da perfeição, que induz muitas vezes à depressão, lembrando o seu companheiro de banda e amigo Nicky Wire , Bad Boys and Painkillers , uma faixa pop com remeniscencias country . Esta aguda critica social e escrutinio da alma, são temas recorrentes no trabalho dos Manic Street Preachers , factor que poderia reforçar a tese de que James , melhor teria feito se tivesse chamado Nicky Wire e Sean Moore , para o acompanharem e assim assinar o album em nome dos  Manic . No entanto, as letras de James são bem mais directas e clarividentes, afastando-se do surrealismo, que por vezes Richie e Nicky conseguiam impor. É obvio que a simboliogia  e as metáforas continuam lá, mas é interessante ver por uma vez, o que James tem para dizer e açima de tudo como o diz.

 

A revista Q publicou uma entrevista em forma de podcast , onde James  fala do seu The Great Western.     

  

publicado por astropastor às 03:10
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