Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2006

Funkstorung - Test




A portagem abriu-se. À sua frente, a auto-estrada convidava ao devaneio e à abstracção. José Manuel Fonseca Galhão, Galhão para os amigos, encontrava-se no domínio dos não-lugares, aquilo que o antropólogo Roland Barthes, designa por, espaços despersonalizados, descaracterizados, espaços sem história, sem alma, locais de passagem, que despem o individuo da sua bagagem intelectual, cultural e emocional, passando este a ser encarado, como um usuário, um número, que comunica primordialmente com máquinas, que o lembram constantemente da posição desumana que acabou de assumir.
Para Galhão, homem novo e bem sucedido, aquela seria apenas mais uma viagem de negócios. Ou talvez não. Apesar de toda a aparente normalidade da situação, a tarde cinzenta, não auspiciava nada de bom, pelo que, Galhão segurava afincadamente o volante do seu BMW M5, com ambas as mãos, tarefa que habitualmente era desempenhada com o recurso a apenas uma mão, deixando a outra livre para fumar os seus puros, ou brincar com o GPS.
O primeiro sintoma, de que as coisas, não iam correr pelo melhor, foi a avaria do GPS. Este acontecimento, irritou levemente Galhão, mas despertou uma linha de raciocínio interessante, que o manteve distraído da condução, durante 1 Km ou 2. Ele pensou, o quanto as máquinas se tinham vindo a tornar importantes na vida das pessoas. Delas dependia muitas vezes, o nosso sucesso, a nossa segurança, o nosso bem-estar. Apesar de saber, que era o homem, que detinha o poder sobre as máquinas, muitas vezes, este se subjugava ao seu domínio. Ele mesmo, tinha acabado de entrar na auto-estrada há poucos minutos, e estava já dependente de uma série de máquinas. O M5, que o estava a importunar com a falha do GPS, a máquina, que emitia os tickets de entrada na auto-estrada, já controlava o tempo em que ele lá permaneceria, as câmaras pelas quais passava ocasionalmente, intrometiam-se e condicionavam a sua condução. Matutava em tudo isto, quando foi resgatado pela “Careless Whisper” dos “Wham”, que tocava num cd gravado pela sua esposa Sofia. Esboçou um sorriso, ao recordar-se da sua mulher e afastou os pensamentos de cariz sociológico que o tinham consumido até então. Afinal de contas, a sociologia, não lhe interessava para nada. A sua área era a economia, actividade, que lhe tinha garantido um lugar de destaque na banca. E as coisas, só podiam melhorar com esta viagem até à sede do banco. A promoção a director executivo estava já quase consumada, só faltando uma reunião com os restantes membros da direcção do banco, que o aguardavam daí a umas horas.
O M5 rolava a uns estáveis 150 kmh, quando o sistema de som começou a dar sinais de avaria. Estalidos e mudanças de velocidade de reprodução, induziam o “George Michael” a um estado de chinfrineira, o que levou Galhão, a estender o braço para desligar o rádio. Porém, antes que o conseguisse fazer, a música cessou, dando lugar ao silêncio. Enquanto o condutor, equacionava uma nova avaria no sistema electrónico do seu dispendioso carro, no visor do sistema de som surgiu Funkstorung – Test. Das colunas, começou a ser emitido, um som frio e maquinal, desconcertante, pelas suas mudanças de ritmo e som sintetizado. Antes que o jovem economista tivesse tempo de reagir ao som, que cada vez saia mais alto das colunas, o seu conta-quilómetros começou igualmente a disparar em curva ascendente. 160, 170, depois 190, Galhão não sabia como explicar tal anomalia. Pensava numa avaria do sistema de “cruise-control”, tentava pressionar o travão infrutiferamente. Já não conseguia pensar, agarrava o volante, com toda a força, desviando-se dos carros que alcançava depressa demais. Ia agora a 220 kmh, e a música que saia das colunas a uma altura desconcertante, fustigava-o violentamente. Aproximava-se a passos largos de uma carrinha toyota velha, com uma família, que avançava a uns modestos 100 kmh, e que ultrapassava um camião de transporte de combustível. Galhão, apitava desesperadamente, mas o seu conta – quilómetros marcava já os 250, e àquela velocidade, já não conseguia prever o momento do impacto.
Os dois carros embrulharam-se com estrondo. O camião, acabou por sofrer com o impacto, rebentado os pneus traseiros, o que originou o despiste do pesado, que acabou por tombar na estrada, barrando as 3 pistas de rodagem. As viaturas, que seguiam atrás, não puderam evitar o choque. A explosão consumiu pelo fogo as viaturas que iam chegando, àquele inferno rodoviário.
Às 18.30 os elementos da Brigada de Trânsito, conduziam a assustadora tarefa, de identificação, dos veículos e dos seus ocupantes. Aproximaram-se então do veículo, que segundo uma testemunha, que seguia à frente do choque em cadeia, havia sido o causador da catástrofe. Um M5 preto, amassado como uma harmónica, albergava um cadáver carbonizado e quase fundido, com os restos da viatura. Subsistia porém, um único sobrevivente. Os homens da BT, entreolharam-se incrédulos. O sistema de GPS, meio derretido, pelas chamas que havia suportado, apitava e exibia a seguinte frase, “Os homens desistem, as máquinas persistem.
publicado por astropastor às 01:43
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7 comentários:
De Anónimo a 8 de Fevereiro de 2006 às 17:24
ok.. thanks anyway.. keep up the good work!!filipe
(http://www.pontasemno.blogspot.com)
(mailto:lowfi@mail.pt)


De Anónimo a 6 de Fevereiro de 2006 às 23:56
Inflizmente não tenho nenhum link maravilha... O disco é o uma reedição dos 70's é difícil arranjar as letras. O gajo tb é pouco conhecido. Sorry :(( blacksheep
(http://perolas.blogs.sapo.pt)
(mailto:blacksheep@sapo.pt)


De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2006 às 22:05
Caro Filipe, acerca de Gary Higgins, deves perguntar ao membro "blacksheep", que anda desaparecido do blog. Não sabemos aonde ele para, mas oferecemos recompensa a quem nos indicar o seu paradeiro. A ultima vez que foi visto, rondava o WC do RTP, acompanhado com um bidão de gasolina. Abraço.astropastor
(http://perolas.blogs.sapo.pt/)
(mailto:)


De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2006 às 20:30
(em relação ao post sobre o 'red hash' do gary higgins..)

tou a descobrir isto agora.. e concordo contigo, não entra à primeira, e talvez precisamente por isso já tou viciado.. agora, queria era arranjar as letras.. já vasculhei a net e nada.. por acaso não tens ai um link maravilha??filipe
(http://www.pontasemno.blogspot.com)
(mailto:lowfi@mail.pt)


De Anónimo a 4 de Fevereiro de 2006 às 20:17
A gerência do Perolas Para os Porcos chegou à conclusão, após intensas reuniões, de reservar um espaço especial para publicidade do cariz do seu comentario. Cada palavra custará a modica quantia de 1euro. Poderá amavelmente enviar essa quantia para um numero de conta a divulgar após contacto entre a sua "empresa" e a gerência desta humilde pocilga.Avé
(http://perolas.blogs.sapo.pt/)
(mailto:)


De Anónimo a 3 de Fevereiro de 2006 às 19:31
Era mesmo, esse tipo de comentário, que estava à espera. Obrigado senhor.astropastor
(http://perolas.blogs.sapo.pt/)
(mailto:)


De Anónimo a 3 de Fevereiro de 2006 às 14:22
… Olá Bloguista.

Informações Úteis para as CLASSES SOCIAIS Média, Média-Alta, Alta e RICOS.

Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos) versus ESCOLAS SECUNDÁRIAS TÉCNICO PROFISSIONAIS com ACESSO AO ENSINO SUPERIOR.

Sabiam que:
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*** EM CADA DOIS (2) alunos universitários UM (1) NÃO ACABARÁ o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Nota: Em ENGENHARIA É MUITO PIOR. Em cada quatro (4) alunos universitários três (3) não acabarão o Curso !?!?!?!?!?!?!?!?!
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Ou seja. DOS ALUNOS QUE ENTRAM nas Universidade e Politécnicos (Públicas ou Privadas) CINQUENTA POR CENTO (50%) -- NÃO CHEGA -- A ACABAR O CURSO. A maior parte desiste nos 3 primeiros anos do Curso.

No total Duzentos e Vinte e Cinco Mil (225.000) alunos não terminarão o Curso. Logo Dinheiro do Estado e dinheiro das Famílias deitados ao lixo todos os anos (Mais de Quatro Mil e Quinhentos Milhões (4.500.000.000) de Euros anuais).

Nota Importante: Não se preocupem com os POBRES. Porque nas Universidades e Politécnicos (Públicos e Privados) há:

- Um por Cento (1%) de Pobres;

- Sete por Cento (7%) de Classe Média-BAIXA.

- Noventa e Dois por Cento (92%) de Classes Média, Média-Alta, Alta e Ricos. E SÃO ESTES QUE SE LIXAM!! Abram os Olhos!



*** Um CURSO DE CINCO (5) ANOS É FEITO, em MÉDIA, em OITO (8) ou NOVE (9) anos!


*** Dos Cinquenta por cento (50%) que TERMINAM O CURSO:

Setenta por cento (70%) tira-o a COPIAR!!?!!?. Senão CHUMBAVAM também (seria 85% que não acabaria o Curso !!?!??!?!?!) e Profissionalmente serão uma mer.da e medricas e inseguros.

E precisarão de trabalhar dezasseis (16) horas por dia (perguntem aos Licenciados. Doutores e Engenheiros.) para produzir quatro a cinco (4 - 5) horas de riqueza;


SOLUÇÕES SIMPLES:

i -- FECHEM todas as Universidades e Institutos Politécnicos durante cinco (5) anos e ABRAM Escolas Técnico Profissionais COM ACESSO À UNIVERSIDADE.;

In “Livro aconselhado às Escolas Técnico Profissionais com acesso ao Ensino Superior”, http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html#893945


E/OU ENTÃO,

ii -- AUMENTEM AS PROPINAS, anualmente, para CINCO (5) VEZES o SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL (nos Institutos Politécnicos Públicos e nas Universidades Públicas).

Prova dos Nove contra os Aldrabões e Aldrabonas e a sua “Ladainha dos Pobrezinhos”:

Ver: “Alunos COM POSSES têm mais hipóteses no ENSINO PÚ-BLI-CO”, http://jn.sapo.pt/2004/08/22/sociedade/ha_portugal_cultura_facilitismo.html.


PROPOSTA DE MELHORIA:

Que a maior parte dos COLÉGIOS deixe de ministrar o Ensino GERAL (+/- igual a Palha com notas inflacionadas) e passe a ministrar o Ensino TÉCNICO-PROFISSIONAL com acesso ao Ensino Superior. É lógico!


OFERTA PELA DIVULGAÇÃO DESTE DOCUMENTO:

TODOS os Alunos PODEM E - DEVEM – Candidatar-se / Concorrer TODOS os anos à BOLSA DE ESTUDO nas Universidades e Institutos Politécnicos (Públicos e Não Públicos):

"Oh ALUNOS Portugueses III" - SUBSÍDIO ESCOLAR e BOLSA DE ESTUDO , 30 Abril de 2004 em http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt/arquivo/2004_04.html#128423

José da Silva Maurício




FECHEM as Universidades e Politécnicos durante 5 anos e CONSTRUAM Escolas Técnico-Profissionais;
(http://eunaodesisto.blogs.sapo.pt)
(mailto:mauricio_102@sapo.pt)


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