Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

Mão Morta - Bófia




O silêncio. Nada mais que o silêncio. Era assim que se poderia descrever o cenário depois daquele relâmpago enfurecido que trespassou a noite e inflamou o sonho de todos os vizinhos.
Ardegães, 02:34 da madrugada, Rua do paraíso.
Segundo relatos policiais, Zé Manel, umas das vítimas envolvidas nesta ocorrência, terá alegadamente esfaqueado uma galinha do seu próprio galinheiro, sem antes ter contactado o aviário local e as autoridades sanitárias competentes.
Depois de recebidas as queixas da vítima (galinha) na esquadra de Ardegães, a patrulha de serviço deslocou-se ao local para tomar conta da ocorrência, já convicta que iria encontrar forte resistência tendo em conta os antecedentes do suposto homicida:
• Embriagues na via pública, seguida de auto-exibiciosnismo;
• Atentado ao pudor, por suposta relação com um dos seus frangos;
• Prevaricação dos mandamentos religiosos, nomeadamente o não pagamento da congra (espécie de imposto religioso, para fins exclusivamente comunitários: table dances, viagens ao Brasil)
Depois de cercada a sua casa, Zé Manel (estafeta de profissão) exigiu um resgate para que se entregasse, tendo criado um enorme alvoroço acusando os vizinhos de injurias e de não compreenderem o amor possível entre pessoas e animais. “vocês têm é inveja! Eu tenho a con.. limpa! O senhor procurou-me e dedicou a minha humilde vida aos frangos! Matei sim! Matei por amor! Matei por não deixar que abusassem dela no aviário.
Enquanto os agentes da distinta Guarda Nacional Republicana, discutiam entre si a possibilidade de existência de humanidade neste individuo, Zé Manel esgueirou-se pelo campo do vizinho usando como meio de fuga uma bicicleta devidamente adaptada para o transporte dos seus reféns.
Depois de varias horas de perseguição e de troca de insultos entre GNR e Zé Manel, passando a citar:
• GNR- “Anda cá badalhoco! Ordinário! Prevaricador!
• Zé Manel- “ O senhor me protege o senhor me ilumina o senhor me guia a mim e aos meus amores!
• GNR- “Ou paras ou vamos ter que meter a segunda e bloquear-te a estrada, correndo assim o risco de te magoarmos seu ordinário auto enganador e pianista emocional.
• Zé Manel- “Amo-as de mais para me entregar! Não lhes tiro prazer nem lhes inflijo dor. Apenas lhes dou e exijo amor.
Zé Manel, conseguiu escapar por momentos aos agentes, através de uma táctica bastante utilizada em filmes de série B Timorenses. Assim, atirou para a berma uma primeira edição da revista Gina, uma garrafa de remédinho (vinho rose de proveniência duvidosa) e um maço de coronas adaptados com boquilhas de mentol.
Os agentes perderam desta forma o suspeito, que conseguiu ganhar algum avanço, tendo sofrido a cerca de 500 metros um aparatoso acidente.
Depois de ligados os pirilampos e afastados os mirones, os agentes depararam com um cenário macabro. Zé Manel havia chocado contra uma carrinha do aviário municipal de Ardegães, não causando ferimentos no condutor nem nos ditos frangos. Depois de se aperceber que tinha recebido um sinal do valha-me Deus nosso Senhor, Zé Manel banhou-se com o remédinho que lhe restava, cuidadosamente guardado numa garrafa de 7up, e entrou para a mala do veiculo, estendendo-se ao comprido entre os frangos e estabelecendo uma comunhão fraterna entre todos, não permitindo a existência de brigas nem de carícias sexuais entre a comunidade aviaria. Zé Manel foi detido, supostamente todo nu e ensanguentado (o vinho rose quando derramado sobre pele oleosa ganha a aparência de sangue.
Os repórteres do Jornal Pérolas para os Porcos conseguiram anotar as ultimas palavras de Zé Manel antes de ser detido pelos agentes:
• “Podem prender-me mas nunca me vão impedir de amar. Para amar não preciso de sanidade mental nem da presença dos frangos. Preciso apenas de auto infligir um tráfego mental e pensar no Petit.”


Nexo? Lógica? Para quê? Avé.

Depois de ter sido detido, Zé Manel expressou apenas vontade de levar para a cela, a sua antiga cassete dos Mão Morta com o tema Bófia.
publicado por astropastor às 23:17
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2 comentários:
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 17:11
Disseram-me ainda à boca pequena que Zé Manel, não obstante constituir-se como uma novidade viril para as moças da aldeia onde agora vive, continua a ceder à tentação de actividades zoófilas com as vaquinhas da quinta onde trabalha. Contam ainda que essas moças roliças e ávidas de macho, encetaram já medidas drásticas e profundas, tais como:rapadela dos pêlos púbicos em excesso, da sovaqueira, entretanto perfumado com aquele sabão azul de lavar a roupa; derretimento de quantidades industrias de cerume, entretanto retirado por um especialista (o barbeiro da aldeia), posteriormente utilizado na remoção do buço, bem como de outras pilosidades rebeldemente espalhadas pela restante face. Será desta que Zé Manuel vê a luz? Duvido. Para além das vacas, há ainda as ovelhas e as cabras....rapozas, lebres, etc e tal.....Não vão ter vida fácil, as meninas da aldeia.Salsichas Negras
(http://www.ladoerradodanoite.blogspot.com)
(mailto:miguelvazpinto@hotmail.com)


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 02:39
Eu conheço o Zé Manel. Um tipo pacato, cortês. Redimiu-se depois desse episódio. Aceitou o convite de ir trabalhar para uma quinta em Trás – os – Montes, onde cuida actualmente da higiene diária de vacas.
O teu pequeno conto, está delirantemente genial. Congrats.
astropastor
</a>
(mailto:astropastor@sapo.pt)


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