Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2006

As Preferidas dos Dzerta - Episódio 3 [Manuel Alegra-me]




Manuel Alegra-me, esse vulto da música Portuguesa dos anos 70, conhecido por muitos como “O Poeta Cantor”, é neste momento, mais um dos elementos dos Dzerta, que se encontra na corrida para a liderança da banda. O que nos espanta, é o facto de Manuel ter começado a sua carreira musical por volta de 1974 e ainda assim, manter nos dias de hoje uma imagem fresca e jovial, capaz de fazer dele um elemento de uma teen boys band. Chegamos ao ponto de lhe perguntar se bebia sangue de jovens, para manter tal jovialidade, ao que Alegra-me, lá nos confidenciou: “Não. Por acaso, havia de ter graça, eu nem gosto de arroz de cabidela. Não, mas a sério, sabem que isto de levar uma vida regalada, a escrever poemas e a cantarolar, enquanto o povinho esgravata o pão de cada dia, e se dilui na rotina do sacrifício, dá-nos uma energia e uma resistência dos diabos, é que não há ruga que nos pegue”.
O Poeta Cantor, fez questão de nos contar, igualmente, a origem do seu tique irritante de tratar toda a gente por “pá”: “Óh pá, isso foi uma coisa, que me ficou dos tempos da revolução de Abril. Sabe que eu pá, provinha de uma família abastada, de maneira que, quando se deu a revolução em Portugal pá, eu tive que vir para a rua, antes que eles me fossem buscar a casa. Comecei então a delirar, num ataque de “pás” para trás e para a frente. Foi bastante interessante essa minha tentativa de me infiltrar no povinho desnorteado. Quando cheguei à baixa da cidade, comecei logo com um “épá”, olha por acaso estava lá o director de marketing daquela empresa de gelados muito famosa ao meu lado, e depois meti um “viva pá”, “ganhámos pá”, “nunca mais pá”, “ladrões pá”. Dei por mim, estava ajoelhado em frente a duas jovens, de fartos cabelos e seios desnudos, que usavam ainda uma espécie de penas de índio na cabeça, que me iam gritando aos ouvidos – [pá, pá, pá, levanta-te pá, tu és um poeta pá, o grande pássaro azul do sul, disse-nos no sono, que tu serias o iluminado, o poeta cantor, aquele em cuja alma a revolta nunca se calará. Tu és um rebelde Manuel]. E pronto, a partir daí já conhecem a minha história. Fui para casa, deixei crescer a barba, e tenho sido o poeta cantor da revolução que vocês conhecem”.
Quando, interpelamos o poeta cantor na tentativa de saber qual a sua música preferida do momento, Alegra-me mostrou-se cabisbaixo. “ O pá eu já não escuto nada disso. Hoje em dia é tudo a mesma palhaçada pá. Perdeu-se o espírito da revolução. As pessoas já não querem inovar pá, têm medo de arriscar pá, têm medo de ser artistas pá. É por isso, que eu tenho que ganhar a liderança da banda pá. Para trazer de volta a criatividade, a magia, a poesia. Eu sou o poeta cantor pá. Passem qualquer coisa do escritor da “beat generation”, do William S. Burroughs pá. Para eles ficarem a pensar que eu sou um erudito pá, um poeta, um cantor pá.
publicado por astropastor às 01:15
link do post | comentar | favorito
2 comentários:
De Anónimo a 26 de Janeiro de 2006 às 01:13
Efectivamente pá, já vi que és dos nossos!astropastor
(http://perolas.blogs.sapo.pt)
(mailto:)


De Anónimo a 19 de Janeiro de 2006 às 21:09
pá parecendo que não pá o gajo pá já tá a caminho de uma idade proibitiva pá para cantor claro está pá de resto nao sei pá qualquer gajo consegue fazer aquilo que ele e mais uns quantos se estão a habilitar pá... ora entao um grande bem haja páInsolente
(http://oprazerdainsolencia.blogs.sapo.pt)
(mailto:aaa@aaa.aaa)


Comentar post

..about

música, cinema, publicidade, comunicação, moda, design, política, sociedade...


Create Your Badge

.mix tape

.tags

. todas as tags

.links

++++

.arquivos

.subscrever feeds